OGGP-1, a fish 6’4″ de madeira

Aloha, caros e raros leitores deste blog.

Um tempo razoável passou desde o último post, e não foi à toa. Nestes últimos meses estive bastante ocupado, indo muito ao Rio, estudando durante a semana. Mas sempre sobra um tempo livre, ou a gente dá um jeito de sobrar, e foi dele que me utilizei para finalizar o projeto mais longo que já executei.

A história: quando comecei a morar sozinho e mais perto da praia, consegui finalmente me desenvolver e me apaixonar de vez por uma prática maravilhosa: o surf. E chamo de prática, e não de esporte, pois o surf é muito mais que isso. É exercício, de corpo e mente, é terapia, diversão, tratamento anti-(stress, ansiedade, tristeza, raiva, desânimo). Enfim, a última coisa em que penso quando surfando é na competitividade que a palavra “esporte” inspira. Mas seguindo: o surf passou a fazer parte da minha vida. E ao mesmo tempo comecei minhas aventuras pelo mundo da marcenaria, inspirado no meu pai e no meu avô.

Como acontece com outro assuntos pelos que me interesso, surgiu a vontade de entender melhor aquele estranho instrumento que eu usava para surfar: A Prancha.

Bem, talvez quem não surfe não tenha idéia, mas a prancha de surf é um objeto complexo e muito diverso. Há vários fatores que influenciam no modo como cada prancha vai se comportar em cada onda, como: formato do contorno, espessura, formato da borda, curva do fundo, número e tipos de quilha, presença ou ausência de canaletas, entre outro. E a melhor forma de entendê-los, pensei cá comigo, é fazendo algumas.

A fabricação tradicional de pranchas de surf é feita com blocos de poliuretano, que são desbastados por um shaper, até a forma desejada, e depois revestidos com camadas de fibra de vidro e resina poliester. Este processo querer um ambiente próprio, isolado, pois produz muita poeira branca no desbaste do bloco. Além disso, a idéia de ter que desbastar uma prancha inteira, simetricamente, me pareceu um pouco difícil.

https://i2.wp.com/4.bp.blogspot.com/_4KR_wBu-avQ/SPjDUQCQXnI/AAAAAAAAAAM/l8w2Jj_XdS4/s400/one+style+Sala+de+Shaper.jpg
Exemplo da sujeirada que fica. E a poeira é muito leve, espalha pela casa toda…

Foi quando conheci, por indicação de uns amigos, as hollow wood surfboads (HWS). São pranchas ocas feitas com madeira, como as antigas produzidas pelo Tom Blake, a exemplo desta paddle board e destas outras do pessoal da Vintage Wooden. Fora do Brasil há vários fabricantes dessas pranchas, e alguns sites que oferecem desde planos de corte até manuais completos. Um site muito interessante e indispensável de ser visitado por quem queira fabricar a sua é o forum da Tree to Sea, organização fundada pelo Rich Blundel, antigo integrante da Grain Surfboards. Neste site, e no novo site da Tree to Sea, pode-se encontrar tudo que precisa para construir em casa a sua própria prancha de surf oca de madeira.

Aqui no Brasil tomei conhecimento de 3 fabricantes destas pranchas, entre outras ocorrências esparsas: Kanaloa Surfboards, a A Flora Surfboards e a Siebert Surfboards.

A Kanaloa fica em Arraial do Cabo, RJ. Não tive oportunidade de conhecer pessoalmente o trabalho do Wagner, o artesão, mas pelo site vi umas alaias bem interessantes.

https://i1.wp.com/www.kanaloasurf.com.br/foto7.jpg
Aí o Wagner e algumas pranchas dele. Reparem que beleza de trabalho nas bordas das alaias.

Na A Flora Surfboards trabalham o Tiago e o Kiko. A fábrica fica num paraíso na costa norte de São Paulo, a praia de Itamambuca. Eles trabalham com muita madeira reaproveitada, seja de sobra de madeireiras, madeiras caídas naturalmente na floresta, entre outras. Quando fui lá estavam começando a usar uma resina feita de mamona para impermeabilizar as pranchas. As pranchas são bem bonitas, e o cunho ecológico do trabalho deles é bem forte. Vale a pena uma visita para conhecer o trabalho dos caras, que aliás, me receberam super bem lá. Só não façam como eu, que cheguei em Ubatuba sozinho, comi no primeiro dia 2 cheese-tudo altamente duvidosos, vomitei a noite inteira, e voltei para casa mais cedo, dirigindo por 6 horas com o estômago vazio.

[Na_onda_da_sustentabilidade.jpg]
Sustentabilidade é o mote dessa galera!

A Siebert Surfboards foi criada pelo Felipe Siebert. São pranchas ocas feitas em compensado, de diversos formatos. Começou a pouco também a fabricar alaias, numa parceria com o Tom Wegener. As pranchas são lindas, comprei este ano um longboard 9’8″ que é um brinco (minha opinião aqui no blog da Siebert), adoro surfar nele. Encomendei também uma Bortoleto Keel Fish, que deve chegar no início do ano que vem. Estive lá em Floripa visitando o Felipe, quando fui assistir o WCT de 2009 em Imbituba. Cara super gente boa, que faz também um ótimo trabalho de marcenaria nas pranchas. Recomendo.

https://i0.wp.com/lh3.ggpht.com/_eUQLt2klcME/SeS8dPu6n_I/AAAAAAAADWs/T-RGaOArh-k/3399648590_30be804054.jpghttps://i0.wp.com/lh3.ggpht.com/_eUQLt2klcME/SYMfdc_imFI/AAAAAAAAC_w/vgo5cnGxPWo/s640/IMG_1883.jpg
Ô bicho tímido, difícil achar foto do cara…

Além das pranchas de surf o Felipe produz também shapes de skate artesanais show de bola, no estilo old school.

Bem, com todo este material nas mãos, a cabeça cheia de idéias, foi assim que iniciei a contrução da minha fish 6’4″, modelo escolhido por não ser tão grande a ponto de precisar de técnicas de reforço extra, nem tão pequena a ponto da prancha correr o risco de afundar.

Os planos de corte do esqueleto da prancha consegui no site do Tree To Sea, onde o Rich estava enviando um plano para quem fizesse uma doação para plantio de árvores.

No próximo post mostrarei a trabalhosa e longa fase de construção da prancha.

Aloha,

Fernando Mattos.

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7 opiniões sobre “OGGP-1, a fish 6’4″ de madeira

  1. excelente post Fernando, bela explanação… vou recomendar este post para alguns amigos que tem blogs relacionados ao assunto. o Tomas Oberst e o Luciano Burin (Surf&Cult).

    Tua Keel Fish ja deve estar pronta, vou na fabrica conferir laminaçao amanha dai já entro em contato por email,

    abraço,

  2. Hello,

    Thank you for your kind words. It’s cool to know we have listeners in Brazil! If you have any bands you think we might like then please let me know.

    keep up the good work and spread the word.

    lots of Love Tuckshop Community radio (Jack) xx

  3. cara estou montando a 3 mostra do projeto museu do Surf de imbituba
    entre em contato comigo
    Wladimir Silva Pinto

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