OGGP-1, a fish 6’4″ de madeira – a construção

Salve salve,

dois posts atrás introduzi o assunto das HWS e de como decidi fazer a minha…

tudo começou há dois anos atrás. Depois que decidi fazer a minha prancha oca de madeira, a primeira coisa que comecei a construir foi uma mesa , que teria função dupla: mesa de marceneiro, para os trabalhos que precisassem de uma mesa maior, como a marcação das peças, alguns cortes, etc; e mesa de rocker, ou mesa de curvatura de fundo. Explico:… melhor, explico depois.

A construção da mesa foi uma novela. Era o primeiro objeto realmente grande que eu ia fazer em madeira, e tomado por uma visão poética da marcenaria, encasquetei que ia fazer a mesa toda na mão, e sem cola nem prego ou parafuso, e sem ferramenta elétrica! E assim fiz metade dela. Em 6 meses. Com a ajuda do amigo Fredoca. Depois desse tempo todo, agora então já convencido que se ficasse assim não ia ver minha prancha pronta tão cedo, parti para o uso de ferramentas elétricas e parafusos, e a mesa ficou prontinha em mais 2 semanas.

Daí para a frente foi uma enrolação só. Os passos seguintes foram intercalados com muitos meses de hesitação, dúvidas, certezas de que estava fazendo algo errado, e tentativas de solução de certos problemas de engenharia da coisa. Mas, resumidamente, foi assim:

Comecei pelo esqueleto da coisa. Isso, a prancha tem um esqueleto. A forma de construção de uma HWS é como um barco, em que você usa uma longarina, carvernas (que eu chamo de costelas), e juntas formam algo parecido com uma espinha de peixe. Depois de cortado o esqueleto, de compensado de 7 mm, a partir dos planos de corte fornecidos pelo Rich, colei as costelas à longarina e, usando a mesa de rocker, colei o esqueleto todo a uma placa de compensado naval de 7 mm de cedro que será o fundo da prancha, já cortada no formato apriximado do outline dela.


Aqui o conjunto esqueleto-placa de fundo, já colados, sobre a mesa de rocker.

Após aplicar a cola no fundo do esqueleto, o conjunto todo foi prensado na mesa. Cada ripa dessa estava numa altura específica, acompanhando a curva de fundo da prancha. A prensagem era feita por parafusos sobre cada extremidade das ripas superiores (são duas ripas, reparem. A prancha estava entre elas), que são atravessadas por barras rosqueadas, presas à base da mesa.

O resultado final é a foto acima, e essas abaixo.


A colagem foi feita inicialmente com Adesivo 5200 da 3M, feito para uso naval. É como um silicone de pistola, mas o resultado final é mais rígido e resistente, indicado para adesivo estrutural em madeira. Porém não levei muita fé que aquilo ia aguentar, e reforcei com resina epoxi da Barracudatec, a resina que usei para colar todo o resto da prancha. O resultado no resforço foi esta lambança aí, por eu ter misturado cavaco de madeira na resina. Hoje eu já sei que só serve pó de madeira, cavaco não.

O próximo passo então seria construir a borda. Começa-se com uma ripa de madeira encaixada num dente entre a ponta das costelas e a placa de fundo. Mas ops,


tinha esqueci de cortar o dente para encaixar a ripa (o quadradinho na ponta da costela). Foi mais um trabalhinho de corno cortar com a coisa toda colada.

Depois disso eu podia escolher entre alguns caminhos. O método de construção de borda que tinha pensado era com ripas que acompanham a curvatura da borda, como se faz num strip-planking, e como o pessoal do forum Tree to Sea indicava. Mas as ripas que eu tinha não giravam para acompanhar a evolução da borda em seu comprimento, quebravam antes disso. Então parti para o método de ripar paralelas. A conformação da coisa é mais ou menos assim:

Foi um trabalho. Colar todas essas ripas, tendo que se misturar a cola epoxi a cada vez, e depois limpar o que escorria para fora da colagem, e antes disso pensar em todo o esquema das ripas, onde começava uma e terminava a outra… fora a insanidade de granpos. Disseram-me uma vez que um homem nunca tem granpos demais. Hoje eu acredito nisso.



As ripas eram coladas de um modo a me facilitar shapear a borda mais tarde. Não é um modo simples, cada ripa precisa ter definido o seu começo e o seu fim, com base na conformação da borda. Alguns lugares tinha fileiras horizontais de até 3 ou 4 ripas.

No fim, depois de colar todas as ripas, aplainei a parte de cima delas, para que a prancha pudesse receber a placa do deck. A foto abaixo mostra as ripas por aplainar, na esquerda, e as já aplainadas, da direita, óbvio.

Aí foi colar outra placa na parte de cima da prancha, usando novamente a mesa, cortar todo o excesso de madeira, e começar a dar o shape na borda da prancha, usando o bochequim (parece uma plaina de pase curta, com alças laterais).

Então cortei o formato da rabeta, (uma grande swallow), e para tampar, usei um bloco maciço feito de pedaços colados de madeira, cortado no formato da rabeta.

As quilhas -> tinha lido em um artigo antigo os benefícios da quilhas grossas, e resolvi testar nessa prancha. Caprichei na espessura das quilhas, que já são grandes em área lateral, por ser uma fish clássica.

E depois disso foi selar toda a prancha com uma camada de resina epoxi de laminação da Barracudatec, selar as quilhas, laminar as quilhas, colar as quilhas na prancha, laminar a prancha com fibra de vidro 4oz, uma camada de cada lado com overlap na borda, e passar mais uma camada da resina para dar o acabamento. Em mesmo fiz todo este trabalho de laminação.

Estas pranchar ocas precisam de uma válvula para alívio da pressão interna, que varia muito com a temperatura do ambiente que a prancha está submetida. Como a prancha pode sair do conforto da minha casa, nuns 20°C pela manhã, pegar uma estrada de sol e atingir uns 32°C a 40°C no verão, e entrar numa água de 18-25°C, se o interior da prancha não tiver comunicação com o exterior a prancha pode literalmente explodir (já viu como fica uma garrafa pet vazia deixada ao sol?). Então instalei uma válvula de gore-tex, que é um polímero que permite a passagem do ar, mas não da água.

Não quis instalar um leashcup na prancha, já me bastava essa válvula para quebrar a harmonia madeira-resina. Então fiz uma alça com fio rover e resina para prender a cordinha. Ficou legal, vou só fazer assim nas próximas.

E o resultado final, com minhas considerações sobre todo o processo, erros cometidos e lições aprendidas, vou mostrar no próximo post.

Até breve.

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