OGGP-1, finalmente pronta.

e lá vamos nós. Depois de escolher a prancha, cortar e colar e lixar tudo, laminar e etc. …

Pronta. E finalmente ficou pronta. Não hoje, final do ano passado. Depois de 3 anos construindo esta prancha de madeira, várias noites acordado até tarde: colando; serrando; lixando. Ficou pronta.

E no dia 26/12/2009, por volta das 06 horas da manhã, entrei com ela num mar de águas claras da Prainha! Mas não foi legal. O mar estava uma beleza! Para quem não surfa… Sem onda, um flat generalizado, e na Prainha, onde sempre vou quando o mar do Rio está sem ondas, tinha apenas umas pequenas, sem força nem formação.

Mas depois testei aqui em Macaé, e em Saquarema, praia de Itaunas. Aí pude ter uma noção. A prancha flutua! Ufa, pelo menos isso. Mas é pesada, e isso a deixa com um comportamento de longboard. Ela entra fácil na onda, e funciona bem em ondas maiores e cheias. Demora um bocado para fazer a curva, e quando você acha que ela não vai mais fazer, ela faz. A remada é bem pesada, mas, depois de quebrada a inércia, ela segue com bom andamento.

O pior mesmo é o peso de 11kg (uma prancha do mesmo formato, em bloco, pesaria no máximo 4kg). Por causa dele fica difícil avaliar se alguma característica do surf dela é decorrente do shape ou devido ao peso. Além disso, dá uma certa preguiça de levar para a praia, por isso só caí com ela umas 4 vezes, apesar de já estar pronta há 4 meses. Outro problema do peso é o perigo dela na água. Numa emegência, se você precisar sair da onda ou desviar de outro surfista, não é fácil, e uma pancada na cabeça com essa prancha não duvido que cause um traumatismo, ainda mais em velocidade.

Listo então os contras da prancha e de sua construção:

-Compensado super-dimensionado: Usei compensado naval de cedro de 7mm. Muito pesado, além de difícil de moldar ao shape. Precisei aplicar forças hercúleas para moldar o deck, e ainda assim tive problemas de descolamento do deck durante a construção. Na próxima uso um compensado menos espesso e mais leve.

-Construção da borda com ripas horizontais: Um porre. Além de demorar demais, por ter que colar ripa por ripa com a resina epoxi, que é um pouco chata de usar em pequenas quantidades, por ter que se misturar a resina com endurecedor a cada vez, adicionou um peso desnecessário em madeira e resina. Já estou trabalhando em alternativas.

-Colagem, de um modo geral: Usei muita resina. Em várias partes podia ter usado menos resina sem enfraquecer as juntas. Culpa da inexperiência. Já aprendi a lição.

-Quilhas muito pesadas: Essa foi ridícula. O que aconteceu é que tinha lido num artigo antigo que quilhas mais espessas eram melhores, causavam menos arrasto e turbulências na parte posterior da quilha. O que não lembrei na época é que o artigo era da época dos pranchões. Enfim, fiz quilhas absurdamente grossas, e por isso, pesadas. Desnecessariamente.

-Laminação com epoxi: este é um ponto crítico. Cada camada de laminação (impermeabilização, laminação com tecido de fibra de vidro, gloss coat) demorou pelo menos 2 dias para curar ao toque, em temperatura ambiente. Com isso a fase de laminação demorou bem mais que o normal com resina normal. Com o uso de uma estufa esta fase seria bem mais rápida.

Mas também tem os prós!:

Leash loop: Ficou uma graça! Substituiu o tradicional leash plug, que fere um pouco o visual da madeira.

– Laminação com epoxi: apesar de da demora da cura, é bem mais resistente que a resina usual. Tenho um skimboard que fiz laminado com epoxi, e, num piso grosseiro de cimento, pisei sobre o skimboard, com os dois pés, e o laminado não sofreu mais que uns arranhões.

– Válvula de Gore-tex: não fica bonita, mas é bem prática. Permite passagem de ar sem deixar entrar água, e com isso não preciso me preocupar em fechar e abrir a válvula ao entrar e sair da água.

Seguem então algumas fotos da OGGP-1 pronta.

SNC10199

SNC10200

SNC10190

SNC10189

SNC10188

SNC10194

Aloha!

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2 opiniões sobre “OGGP-1, finalmente pronta.

  1. Parabéns pela pranchinha, eu também sou construtor de pranchas de madeira (amador) e tenho um blog sobre o assunto (Madeira & Água).
    Quanto as suas considerações achei muito boas, passei pelo mesmo processo, com outros erros e acertos. O peso é um fator decisivo (a minha primeira pesa é uma 7’0, monoquilha e pesa 12 quilos). Errei feio ao ter escolhido resina, arrisquei laminar com resina normal e em certas partes (dependendo do tipo de madeira) houve rejeição.

    Mas considero as pranchas de madeira como uma canoa que você tem mergulhada na água a espera das condições boas para ela. O estilo de surf é outro, mais linear e clássico. Aprimorando alguma tecnicas a gente consegue chegar naquele modelo de prancha certeiro.

    Veja lá: madeiraeagua.blogspot.com

    Abraço

    • Obrigado! Bom saber de mais gente que se aventura por esse mundo de marcenaria e surf. Gostei das informações sobre quilhas nos últimos posts! Qual a fonte de consulta?
      A minha oficina foi parcialmente desmontada, e ainda estou terminando um caiaque já faz mais de um ano, por isso não atualizei mais o blog.
      Vou acompanhando aí o seu!
      Abraço

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